quinta-feira, 28 de junho de 2012

Vitamina B12 em veganos e vegetarianos

Claro, não é preciso nem explicar muito o porque deste post, não é mesmo? Afinal, este é o único nutriente que realmente não conseguimos adequar em uma dieta vegana.
"ArrrrrrÁ" dirá o onívoro acéfalo, "tá vendo como a gente precisa comer carne?". Como um bom vegetariano, você deve saber o porque da falta deste nutriente e, principalmente, como se posicionar perante o assunto no seu dia a dia vegano. Falaremos mais sobre isso logo abaixo...


Eu, desde que parei de comer carne (e ainda continuava o consumo de outros derivados animais) , fiquei deficiente em B12 em aproximadamente 20 meses após essa adequação alimentar. A partir daí utilizei uma dosagem alta de B12 intramuscular (ideal para quem está com uma deficiência importante) e a partir daí utilizo diariamente a suplementação administrada via sub-lingual. Eu, a título de experimentação, esperei a B12 baixar para realizar a suplementação, somente pela curiosidade que eu tinha de saber quanto tempo ela duraria, visto que existem algumas referências de que a reserva que temos em nosso corpo pode durar entre 3 a 5 anos, o que não aconteceu no meu caso. A conduta com meus pacientes é totalmente diferente. A suplementação é realizada preventivamente, antes que os níveis de B12 comecem a decair.

Cuidado: Alguns suplementos de B12 podem ser obtidos de origem animal. Conheço o Veganicity que é Vegano e, na farmácia que realizo o meu produto manipulado, também tenho a confirmação que é Vegano. Confirme sempre com o Farmacêutico responsável.

Procure sempre um Nutricionista ou médico com conhecimento sobre a alimentação Vegana para que este realize a sua suplementação de maneira adequada.

Um fato interessante, e que a maioria das pessoas desconhece, é a incidência da carência de B12 em pacientes Onívoros. Isso mesmo, Onívoros apresentam Deficiência de B12 também.
Como? Assim: A B12 precisa "se ligar" com um tal de Fator Intrínseco (FI) no estômago para que assim possa ser absorvida. Caso você não esteja mais produzindo FI a vitamina passa direto e é eliminada nas fezes.



Trecho resumido sobre a B12 e a presença nos alimentos:

Plantas não sintetizam nem armazenam vitamina B12, sendo a principal fonte desta vitamina nos animais por síntese microbiana. A vitamina B12 apenas existe nos vegetais que possuem associação com bactérias que a produzam, o que é mais comum em criações orgânicas. Mesmo assim, a quantidade de B12 nessa plantas cultivadas de forma orgânica é insignificante para as necessidades humanas.


Trecho do material do Dr. Eric sobre B12

18)    Se precisamos suplementar a vitamina B12 quer dizer que a dieta vegetariana não é adequada ao ser humano?
Não, não quer dizer isso.
Em diversos ciclos da vida e condições orgânicas pode ser necessário o uso de suplementos. Isso pode ocorrer por baixa ingestão dos alimentos ou nutrientes, por dificuldade de retirarmos o nutriente do alimento ou por problemas no organismo que fazem com que a sua absorção, utilização ou perda seja comprometida.
Todas as descrições que farei agora são para as pessoas onívoras.
Como exemplo, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que as crianças, dos 6 meses aos 2 anos de idade, recebam suplementação de ferro, frente ao elevado índice de anemia nesse período. É estimado que metade das crianças com menos de 5 anos e 1/3 das gestantes no Brasil tenham carência de ferro.
A suplementação com ácido fólico é feita para mulheres que querem engravidar. Diversos obstetras prescrevem rotineiramente suplementações vitamínicas e minerais para gestantes. A gestação exige aporte de ferro extra, com suplementação.
O Instituto de Medicina dos Estados Unidos recomenda que as pessoas com mais de 50 anos de idade utilizem suplementos de B12, pois pelo menos 30% dessa população mostra deficiência dessa vitamina.
O iodo é adicionado ao sal que consumimos, para que esse mineral chegue a pessoas que moram em regiões distantes do mar. A sua falta causa sérios problemas mentais em crianças (cretinismo), além de dificuldade de produção de hormônio da glândula tireóide.


A fortificação das farinhas com ferro e ácido fólico não visa atingir os vegetarianos, mas sim a população onívora.
Como você pode notar, mesmo os onívoros estão sujeitos a diversas deficiências nutricionais.
O fato que incomoda alguns profissionais de saúde é o fato de que mesmo com uma dieta bem balanceada, uma dieta vegana não supre todos os nutrientes (por causa da B12).
No entanto, assim como o ferro, a B12 depende muito mais do nosso metabolismo, do que da quantidade que ingerimos. Enquanto 50% dos vegetarianos apresentam deficiência de B12, isso ocorre com 40% dos onívoros da América Latina. Veja que a diferença é pequena!
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Saudações Veganas!!!

A melhor palestra!

Sem sombra de dúvidas, esta palestra realizada por Gary Yourofsky (ativista e palestrante sobre direitos animais) é uma das mais inspiradoras sobre o tema Veganismo. Confesso que é de sentir orgulho do cara...

Créditos ao www.sejavegano.com.br, afinal foi lá que eu conheci este vídeo.


Saudações Veganas!


Atualização do Post em 28/06/2012:
Recebi um comentário por meio de um colega Vegano em rede social me informando que este vídeo continha algumas falhas.
Coloco abaixo o link do vídeo no youtube onde o contestador coloca os seus argumentos. Ainda não assisti por completo mas concordo que algumas coisas que ele coloca também devem ser analisadas, só acho contudo, um certo fervor descabido...mas vá lá, a informação parece ser interessante:
http://www.youtube.com/watch?v=SOhXPRhHEWY&feature=fvwrel

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Receitas Veganas e Sensacionais!

Esse é um dos melhores blogs que vi até hoje sobre receitas vegans. Na verdade não só receitas, pois o conhecimento nutricional da autora do blog é realmente muito legal. Eu, como nutricionista e vegano, fico muito feliz de saber que, mesmo sem uma variedade grande de profissionais que entendam do assunto a informação está disponível para quem realmente corre atrás. Afinal, como tudo na vida, acreditar cegamente em uma informação sem pesquisar sobre o assunto é uma grande furada.



Espero que aproveitem as receitas e tudo o que o PAPACAPIM tem a nos oferecer...

Parabéns Sandra!!!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Apicultura


Relato de Um Ex-Apicultor Artesanal

por Leandro Petry

https://www.facebook.com/groups/grupoveganismo/doc/330388323705091/



Por um período de cerca de 6 anos, participei da extração de mel de modo bem “artesanal”, mas que pouco ou nada difere do modo profissional, uma vez que os equipamentos para tal atividade são baratos e de fácil aquisição. Por período de tempo que não me recordo com exatidão, vi também outras pessoas compartilharem desta prática, sendo que algumas delas a faziam com finalidade comercial. A prática que ainda é vista de maneira passiva quanto ao bem estar das abelhas e, até mesmo, do meio ambiente, de responsabilidade ambiental pouco tem e a compaixão para com os animais, é inexistente. No texto adiante, relato minha experiência com a apicultura no pequeno intervalo em que me encontrei como colaborador da prática.


A fase inicial consiste em acender a brasa dentro do “fumegador”, o material utilizado para a combustão varia, no nosso caso usávamos palha e sabugo de milho triturado na maioria das vezes, mas houve casos em que um pouco de serragem foi adicionado. A fumaça sempre esteve longe de ser suave, muito pelo contrário, era densa e de difícil inalação, tanto que, o mais leve dos ventos, ao carregá-la para próximo de nossos olhos, causava profunda irritação e logo desatávamos a lacrimejar. Para as abelhas então, a menor das baforadas, tombava-as ao chão, onde permaneciam por longo período de tempo, contorcendo-se e, não raramente, acabando por morrer.
Após vestirmo-nos e o “fumegador” encontrar-se apto para o serviço, passávamos a abrir as caixas onde se encontravam as colmeias. Primeiro dávamos uma baforada na abertura por onde as abelhas tinham o acesso do meio interno ao meio externo, e vice-versa, da colmeia para que não saíssem da mesma e nos atacassem. Esse era o nosso “cartão de visitas”, e já ele deixava claro o quão mal fazia a fumaça aos pequenos insetos, pois, a partir daquele momento, tornavam-se muito agitadas e agressivas e alguns indivíduos já eram mortos. Na sequência, a caixa era aberta, logo que isso era feito, mais vezes o “fumegador” era posto em ação, porém agora diretamente sobre as abelhas, as larvas e todas as demais partes da colmeia. O objetivo era fazer com que elas não pudessem voar e, novamente, nos atacar. Não obstante, muitas o faziam, mesmo muito atordoadas e intoxicadas, a maioria delas acabava por cair no chão, onde agonizavam, muitas vezes até a morte.
Depois de toda essa agressão de nossa parte, passávamos a tirar os favos de mel e logo íamos à procura das celas que continham a geléia real e as larvas que dariam origem às próximas rainhas para que matássemos a mesmas, impossibilitando a formação de novos enxames e um possível "enfraquecimento" do atual. Nessa parte, matávamos muitas abelhas, pois esmagávamos muitas com as nossas mãos e com os instrumentos usados na etapa em questão, além das que sucumbiam pela fumaça.

A etapa seguinte era a centrifugação dos favos para a retirada do mel. ela sempre era feita no turno da noite, pois então as abelhas estariam menos agressivas, e assim podíamos nos vestir com roupas “normais” e ficar mais tranquilos quanto às ferroadas. Mesmo tentando retirar todas as abelhas dos favos, muitas ficavam, e eram postas justo no centrifugador, onde, mais uma vez morriam em grande número, fosse por asfixia no próprio mel fosse por esmagamentos nas engrenagens da máquina utilizada.
A extração do mel sempre esteve longe de ser gentil e não causar morte e sofrimento as abelhas. Deveria mais ser caracterizado como um roubo, uma vez que a própria palavra “extração”, ou “retirada”, não tem competência etimológica para designar a falta de valores éticos e morais, principalmente com as abelhas, que precedem a prática da apicultura. Sendo ela realizada com finalidade comercial ou para consumo próprio, em larga ou pequena escala, com ou sem a utilização de fumegador, etc., partilho da minha experiência para afirmar, que NÃO, NÃO É UMA PRÁTICA PACÍFICA E HUMANITÁRIA!


Leandro Petry
Ex-apicultor, ex-piscicultor, ex-pecuarista e ex-avicultor
Hoje Vegano
Lajeado, RS, Brasil
Graduando em Geologia - UFRGS
www.facebook.com/leandro.petry.3 

*Fotos retiradas da internet com exclusiva finalidade de ilustrar os processos descritos no texto. As imagens não foram fotografadas pelo autor do texto.

domingo, 24 de junho de 2012

Proteção Animal e VEGANISMO

Uma das coisas que sempre me indigna profundamente é a inconsistência do pensamento de uma boa parte da população no que diz respeito aos DIREITOS ANIMAIS. A incoerência é extrema visto que, ao se intitular Defensor dos ANIMAIS, não se descreve a qual tipo de animal você protege, dando a entender que a proteção é total e irrestrita. Mas não é isso que acontece. 

Bem-estaristas, socorristas e PET-protetores (defensores de cães e gatos, principalmente) acabam se designando como protetores de animais mesmo que acabem cometendo direta ou indiretamente vários tipos de atrocidades com animais. É claro que o meu foco principal em falar sobre isso é com relação ao veganismo. Como disse no texto anterior, podem existir diversas maneiras de ajudar os animais, mas nenhum eh plena sem a adoção de uma dieta VEGANA, afinal, como posso AMAR os ANIMAIS e defende-los e come-los ao mesmo tempo?



Se todos os animais devem possuir direito a vida, como é que podemos conferir tal direito a eles e comermos ao mesmo tempo? A incoerência é explicita e tão ridícula que realmente fica difícil de acreditar que alguns ainda pensem assim. 
A minha teoria sobre o tema envolve principalmente 2 aspectos:
1 - Indivíduo enxerga todos os aspectos acima, mas por motivos estúpidos acaba continuando a prática de promover a morte de animais para seu próprio benefício. Entre estes motivos destaco um que acredito ser o de maior egoísmo e estupidez humana: "O Sabor". Declarações como: Adoro comer carne e não sei como viveria sem queijo e lácteos, demonstram apenas a tendência de nos mantermos reféns de ideias tradicionalistas e comuns e a Preguiça, para não descrever com alguma palavra mais forte, que nos faz não ter a atitude de quebrar com paradigmas estúpidos.
2 - Pelos motivos citados anteriormente, o indivíduo "trava" e opta por ignorar todo o mal que pode fazer aos animais com a sua dieta onívora, e simplesmente os ignora para não se sentir culpado e responsável pelos seus atos e hábitos.

Cito abaixo uma descrição do Blog Opinião Vegana que descreve um pouco melhor as atuais "correntes" de proteção animal.

Abolicionismo
O Abolicionismo Animal pode ser definido como uma corrente de pensamento ético que possui como meta a abolição de uso dos animais. É, sem dúvidas, a corrente de pensamento definidora do veganismo, que prescreve o veganismo como meio, pessoalmente possível de ser adotado a nível individual, para atingir a abolição do especismo.
Seus principais pensadores contemporâneos são Tom Regan e Gary Francione; o último tem tido grande influência no pensamento abolicionista não acadêmico atualmente.
Bem-Estarismo
O Bem-Estarismo Animal é um conjunto de pensamentos que buscam promover o bem-estar dos animais quando usados pelos humanos, em benefício dos humanos. É, portanto, uma ideologia que busca legitimar o especismo, revestindo-o de caráter humanitário através de práticas economicamente sustentáveis e/ou uma grossa camada de retórica.
WSPA é uma organização notoriamente bem-estarista, tendo seu lobby influenciado a pecuária aqui no Brasil e em outras partes do mundo. Deve-se muito a ela o fato de termos conhecimento do abate humanitário.
Gary Francione afirma que existe algo chamado Neo-Bem-Estarismo, que seria um Bem-Estarismo que se “vende” como meio para atingir o Abolicionismo. Creio que esse termo apenas cria confusão. Se é Bem-Estarismo é Bem-Estarismo, apesar de se estar o vendendo como Abolicionismo. Simples assim.
Socorrismo e as Protetoras
Socorrismo, uma palavra nova que não consta na maioria dos “dicionários animalistas”, foi cunhado por Sônia Felipe para designar um conjunto de práticas que visam socorrer animais que foram lesados. A maioria das protetoras (protetoras, em vez de protetor, pois a maioria esmagadora desse pessoal é mulher) de animais são socorristas.
Veja-se, portanto, que o socorrismo não é incompatível com o Abolicionismo ou o Bem-Estarismo.

O início...

Vamos começar pelo começo, tudo ficará mais fácil...

Durante 21 anos eu comi carnes e todos os possíveis derivados animais. Dos 21 aos 25 anos eu me tornei lactovegetariano, ou seja, larguei mão de todas as carnes mas continuei consumindo  leite e outros produtos lácteos. Mesmo assim aquilo não parecia totalmente certo. Parecia não, com certeza eu sabia que era errado e mesmo assim foram 4 anos consumindo tais produtos. Depois de aproximadamente 7 meses de VEGANISMO não tenho nenhuma dúvida em dizer: Existem diversas maneiras de ser DEFENSOR DOS ANIMAIS, porém todas elas incluem a adesão de uma DIETA VEGANA.


Vários motivos me fizeram criar este espaço, incluindo a necessidade de expor àqueles que realmente desejam se informar, todos os aspectos relacionados  com a EXPLORAÇÃO ANIMAL. Pode colocar nesta lista também a vontade de oferecer um espaço aberto para debate, dúvidas, e por aí vai. Motivos com certeza não faltam quando o GRANDE OBJETIVO de tudo é poder, mesmo que de maneira pequena, estabelecer mais uma forma de resistência contra  a cultura mundial atual que nos coloca de forma quase que imposta que animais são seres inferiores, que surgiram para beneficiar os humanos de alguma forma, como oferecer carne, leite, trabalho e diversão, com qualquer coisa que a mesquinhez humana julgue NECESSÁRIA E IMPRESCINDÍVEL para a sua COMODIDADE...exceto os Pandas e as Araras que estão em extinção e são muito bonitinhos, não é mesmo??

CHEGA!!!

DIREITO 1 da Declaração Universal dos Direitos Animais: TODOS OS ANIMAIS TÊM O MESMO DIREITO A VIDA.