Relato de Um Ex-Apicultor Artesanal
por Leandro Petry
https://www.facebook.com/groups/grupoveganismo/doc/330388323705091/
Por um período de cerca de 6 anos, participei da extração de mel de modo bem “artesanal”, mas que pouco ou nada difere do modo profissional, uma vez que os equipamentos para tal atividade são baratos e de fácil aquisição. Por período de tempo que não me recordo com exatidão, vi também outras pessoas compartilharem desta prática, sendo que algumas delas a faziam com finalidade comercial. A prática que ainda é vista de maneira passiva quanto ao bem estar das abelhas e, até mesmo, do meio ambiente, de responsabilidade ambiental pouco tem e a compaixão para com os animais, é inexistente. No texto adiante, relato minha experiência com a apicultura no pequeno intervalo em que me encontrei como colaborador da prática.
A fase inicial consiste em acender a brasa dentro do “fumegador”, o material utilizado para a combustão varia, no nosso caso usávamos palha e sabugo de milho triturado na maioria das vezes, mas houve casos em que um pouco de serragem foi adicionado. A fumaça sempre esteve longe de ser suave, muito pelo contrário, era densa e de difícil inalação, tanto que, o mais leve dos ventos, ao carregá-la para próximo de nossos olhos, causava profunda irritação e logo desatávamos a lacrimejar. Para as abelhas então, a menor das baforadas, tombava-as ao chão, onde permaneciam por longo período de tempo, contorcendo-se e, não raramente, acabando por morrer.

Após vestirmo-nos e o “fumegador” encontrar-se apto para o serviço,
passávamos a abrir as caixas onde se encontravam as colmeias. Primeiro
dávamos uma baforada na abertura por onde as abelhas tinham o acesso do
meio interno ao meio externo, e vice-versa, da colmeia para que não
saíssem da mesma e nos atacassem. Esse era o nosso “cartão de visitas”, e
já ele deixava claro o quão mal fazia a fumaça aos pequenos insetos,
pois, a partir daquele momento, tornavam-se muito agitadas e agressivas e alguns indivíduos já eram mortos.
Na sequência, a caixa era aberta, logo que isso era feito, mais vezes o
“fumegador” era posto em ação, porém agora diretamente sobre as
abelhas, as larvas e todas as demais partes da colmeia. O
objetivo era fazer com que elas não pudessem voar e, novamente, nos
atacar. Não obstante, muitas o faziam, mesmo muito atordoadas e
intoxicadas, a maioria delas acabava por cair no chão, onde agonizavam,
muitas vezes até a morte.
Depois de toda essa agressão de nossa parte, passávamos a
tirar os favos de mel e logo íamos à procura das celas que continham a
geléia real e as larvas que dariam origem às próximas rainhas para que
matássemos a mesmas, impossibilitando a formação de novos enxames e um
possível "enfraquecimento" do atual. Nessa parte,
matávamos muitas abelhas, pois esmagávamos muitas com as nossas mãos e
com os instrumentos usados na etapa em questão, além das que sucumbiam
pela fumaça.
A etapa seguinte era a centrifugação dos favos para a retirada do mel. ela sempre era feita no turno da noite, pois então as abelhas estariam menos agressivas, e assim podíamos nos vestir com roupas “normais” e ficar mais tranquilos quanto às ferroadas. Mesmo tentando retirar todas as abelhas dos favos, muitas ficavam, e eram postas justo no centrifugador, onde, mais uma vez morriam em grande número, fosse por asfixia no próprio mel fosse por esmagamentos nas engrenagens da máquina utilizada.
A extração do mel sempre esteve longe de ser gentil e não
causar morte e sofrimento as abelhas. Deveria mais ser caracterizado
como um roubo, uma vez que a própria palavra “extração”, ou “retirada”,
não tem competência etimológica para designar a falta de valores éticos e
morais, principalmente com as abelhas, que precedem a prática da
apicultura. Sendo ela realizada com finalidade comercial ou para consumo
próprio, em larga ou pequena escala, com ou sem a utilização de
fumegador, etc., partilho da minha experiência para afirmar, que NÃO,
NÃO É UMA PRÁTICA PACÍFICA E HUMANITÁRIA!
Leandro Petry
Ex-apicultor, ex-piscicultor, ex-pecuarista e ex-avicultor
Hoje Vegano
Lajeado, RS, Brasil
Graduando em Geologia - UFRGS
www.facebook.com/leandro.petry.3
*Fotos retiradas da internet com exclusiva finalidade de ilustrar os processos descritos no texto. As imagens não foram fotografadas pelo autor do texto.
https://www.facebook.com/groups/grupoveganismo/doc/330388323705091/
Por um período de cerca de 6 anos, participei da extração de mel de modo bem “artesanal”, mas que pouco ou nada difere do modo profissional, uma vez que os equipamentos para tal atividade são baratos e de fácil aquisição. Por período de tempo que não me recordo com exatidão, vi também outras pessoas compartilharem desta prática, sendo que algumas delas a faziam com finalidade comercial. A prática que ainda é vista de maneira passiva quanto ao bem estar das abelhas e, até mesmo, do meio ambiente, de responsabilidade ambiental pouco tem e a compaixão para com os animais, é inexistente. No texto adiante, relato minha experiência com a apicultura no pequeno intervalo em que me encontrei como colaborador da prática.
A fase inicial consiste em acender a brasa dentro do “fumegador”, o material utilizado para a combustão varia, no nosso caso usávamos palha e sabugo de milho triturado na maioria das vezes, mas houve casos em que um pouco de serragem foi adicionado. A fumaça sempre esteve longe de ser suave, muito pelo contrário, era densa e de difícil inalação, tanto que, o mais leve dos ventos, ao carregá-la para próximo de nossos olhos, causava profunda irritação e logo desatávamos a lacrimejar. Para as abelhas então, a menor das baforadas, tombava-as ao chão, onde permaneciam por longo período de tempo, contorcendo-se e, não raramente, acabando por morrer.



A etapa seguinte era a centrifugação dos favos para a retirada do mel. ela sempre era feita no turno da noite, pois então as abelhas estariam menos agressivas, e assim podíamos nos vestir com roupas “normais” e ficar mais tranquilos quanto às ferroadas. Mesmo tentando retirar todas as abelhas dos favos, muitas ficavam, e eram postas justo no centrifugador, onde, mais uma vez morriam em grande número, fosse por asfixia no próprio mel fosse por esmagamentos nas engrenagens da máquina utilizada.

Leandro Petry
Ex-apicultor, ex-piscicultor, ex-pecuarista e ex-avicultor
Hoje Vegano
Lajeado, RS, Brasil
Graduando em Geologia - UFRGS
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*Fotos retiradas da internet com exclusiva finalidade de ilustrar os processos descritos no texto. As imagens não foram fotografadas pelo autor do texto.
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